segunda-feira, 4 de abril de 2011

Por que me acordar ?

Esta ária, guardadas as proporções de sentido a que se propunha ( Werther e sua tragédia ), traz-me esta pergunta sobre o caso do vôo da Air France, prestes a ser desvendado. Por que acordar-me ?

Pourquoi Me Reveiller ?

Novidades no caso Air France

O tempo se encarrega de ajustar a conexão dos fatos. Finalmente surge uma luz sobre as causas do acidente da Air France, ocorrido há quase dois anos. Esforços que incluiram a equipe que descobriu o Titanic no fundo do mar encontram agora, em relativa proximidade entre si, destroços da fatídica viagem, e corpos atrelados aos assentos do avião. O imaginário daqueles que ainda relutam em aceitar a morte de seus parentes e amigos poderá, finalmente, ajustar-se à aceitação de uma verdade contundente: todos morreram. Perdi um casal amigo naquele vôo, O Dr. Roberto Chem, sua esposa Vera e uma filha. Às vezes imagino que não tenham morrido. É um fato quase inexplicável.

quarta-feira, 30 de março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

terça-feira, 1 de março de 2011

TEXTO SOBRE MOACYR SCLIAR PARA O JORNAL USINA DO PORTO

É difícil escrever sobre alguém que não se conheceu na intimidade, mas quando muito de passagem, e fazer isso justamente em homenagem a essa pessoa que se foi. Tive duas oportunidades de falar com Moacyr Scliar, ou, melhor dizendo, encontramo-nos durante duas atividades de trabalho. Uma vez foi no MARGS, para o lançamento do projeto do filme “O Exército de um Homem Só”, baseado em livro de sua autoria. A outra foi no Theatro São Pedro quando a convite da Federação Israelita do RS fui mediador de um debate após a exibição de estréia da peça “A Alma Imoral”, de Nilton Bonder, magnificamente interpretada pela atriz Clarice Niskier. Nas duas ocasiões – e ele era já imortal – deparei com um homem que de saída não sorria muito; ao contrário, parecia incomodado com alguma coisa. Quase emburrado. Depois, no decorrer de suas intervenções espirituosas a não mais poder em tais ocasiões, principalmente quando abordava o humor judaico do qual foi contador mestre, ele ia se soltando, ia esboçando certa familiaridade com o ambiente, e terminava num sorriso levemente aberto, revelador do homem verdadeiro que guardava escondido em si. Agora, de matéria pronta para este espaço no USINA DO PORTO que já ia ao prelo esta manhã, o Jorge Olup, nosso editor, me pede para escrever alguma coisa sobre o grande imortal da Academia Brasileira de Letras, que ocasionalmente escreveu para este jornal. Então ocorreu-me apenas repetir uma síntese de depoimentos que ouvi e li hoje sobre o Moacyr Scliar, dos quais sobressai a certeza de que ele foi um espírito agregador e um homem generoso. Talvez por sua humildade de toda a sorte, como aquela que o fazia repetir a história real de que em sua infância ele e os irmãos, que viviam com os pais pobres no Bom Fim, tinham os lençóis feitos de sacos de farinha usados. Talvez isso tenha formado o caráter de um homem frugal, visivelmente comedido nos chás da Academia, como conta Carlos Nejar, seu colega gaúcho de imortalidade. Scliar foi, como disse Affonso Romano de Sant’Anna, um escritor que construiu sua obra pelo trabalho metódico, disciplinado, isto é, folha sobre folha, capítulo sobre capítulo, sem preocupar-se com a fama. Incansável homem das letras, que deveria servir de modelo aos novos pretendentes escritores. Algumas vezes ele forneceu artigos aqui para o USINA DO PORTO, atendendo ao pedido de nosso editor, sempre em busca de matérias de qualidade. E escreveu de forma gratuita, com todo o desapego. A questão seria perguntar por que um escritor com mais de setenta obras traduzidas para dezenas de idiomas, articulista de jornais nacionais da maior envergadura, três vezes detentor do Prêmio Jabuti de Literatura atendia prontamente às solicitações do USINA DO PORTO. Faltou-nos alguma vez perguntar isso. É que Scliar prezava a cultura em geral, e a de sua cidade, Porto Alegre, em particular. Estes valores estavam acima de outros e constituíam em verdade a razão de sua existência como médico sanitarista e escritor notável. Atendia a todos e sempre que podia. A nós faltou a hora de agradecer-lhe para sempre e de todo o coração, porque não podíamos imaginar que ele ia partir tão cedo.


Paulo C. Amaral

domingo, 27 de fevereiro de 2011

SELVAGERIA II

Porto Alegre presenciou na sexta-feira passada um ato de selvageria digno de manchetes internacionais. Não é por menos que as visualizaçoes dos vídeos didponíveis no YouTube atingiram números recordes. Eu estaria presente a este evento, convidado que fui pelos organizadores do MASSA CRÍTICA. Mas no dia não pude ir. Eu me pergunto se escapei por esta razão. Acho que não, porque em qualquer rua da cidade, na calçada, meio-fio ou puista de automóveis, estamos sujeitos a ser atropelados por um louco. E este cara... Estragou a sua vida, sem dúvida, pois não escapará da prisão preventiva. Acessem YouTube: vídeo Atripelmento Massa Crítica.

Atropelamento em Massa na Massa Crítica Porto Alegre

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Da Arábias

Passados alguns dias de euforia em relação às mudanças bruscas de governos no continente africano, começa a surgir a preocupação evidente baseada na dúvida de quem substituirá aqueles ditadores jurássicos. Nunca é demais repetir que há males que vêm para o bem. Talvez se possa vislumbrar uma hipóetese inversa, a de que há bens que podem trazer o mal. Discussões à parte, no que concerne o valor de uma ditadura ou de um regime democrático, a pergunta agora é: Nas mão de quem aqueles povos ( Tunísia e Egito, e quem sabe a Líbia, o Barein e outros )ficarão ? Seja qual for a resposta, ela baterá à porta do mundo inteiro levando pesada interrogação e advertência.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

QUE PAÍS É ESTE ?

Não é demais perguntar que país é este, em que um ministro da República, o Sr. Lobão, vem de afirmar em público que a rede energética brasileira é das mais evoluídas do mundo. A cada mínima oscilação meteorológica cai uma fase ou falta luz - pelo menos na cidade em que resido, Porto Alegre. E com tal cara de pau deste apaniguado do Senado Sarney, imperador branco da política nacional,vamos seguindo, nossos governantes fazendo chacota do povo, afirmando escancaradas inverdades. Ou este ministro é bobo, ou é burro, ou é mal-intencionado. E continua ministro. Qualquer uma das premissas de sua condição, citadas aqui, é razão para sua imediata demissão e substituiçao, em seu lugar, de algum cidadão técnico que entenda do assunto e que o resolva, pelo menos com um programa de médio prazo, mas com algum programa.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Era no tempo do rei, de Ruy Castro

 
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Bom livro

Para quem leu 1808 e 1822, obras maravilhosas de Laurentino Gomes,vale a pena conhecer a hitória da Corte Portuguesa no Brasil sob outro viés, o da pesquisa estudiosa, na qual, aliás, baseou-se Laurentino Gomes. De autoria de Patrick Wilcken, australiano. Outro livro maravilhoso é " Era no tempo do rei ", do grande Ruy Castro, mesmo autor de " O Anjo Pornográfico ". Trata-se de um romance, ficção, mas baseado na realidade. Muito a ver com todos os livros aqui mencionados.

No rastro de 1808 e 1822

 
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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

FORA DO AR

Numa dessas intermitências que a vida nos impõe, andei parado com o blog. Natal, férias, vagabundagem, tudo isso junto, mais a falta de assunto, me tiraram do ar. E já vou avisando: vou sair do ar outra vez, pelo menos por duas semanas, agora de férias de verdade. De novo, só aquele imbroglio do Egito, que promete se estender um pouco mais. Na verdade eu pereferiria que o Mubarak ficasse, antes que a moda dos golpes pegue.Deixei aí em cima um quadro bem recente, terminado esta semana. É um dos bons trabalhos recentes e será publicado na minha página no livro dos 60 Anos da Academia Brasileira de Belas Artes. Abraços a todos.

NY CITY, Cidade, de Paulo Amaral

 
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

GENTALHA

E os nossos deputados federais e senadores, quem diria...Não foi nem na calada da noite, mas à luz do dia, em tempo recorde, que encaminharam e aprovaram em intervalo de dois turnos o aumento dos próprios vencimentos à ordem de 61%. Por menos, muito menos, um presidente neste país sofreu impeachment. Onde estão os caras pintadas ? Onde estamos nós, que a tudo isso assistimos impassíveis, por vezes até achando graça ? As revoluções iniciam assim, com o a desfaçatez dos governantes e membros dos poderes, com o abuso exacerbado da paciência do povo até que de nada adianta mandar-lhe brioches. Depois das eleições é que se conhecem os políticos. Gentalha !

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Fracasso em Abu Dhabi ?

Como gremista, fico triste de ver que meus colegas de torcida secaram o Internacional na partida decisiva do mundial de clubes esta tarde, quando o Inter perdeu para o time do Congo defendendo, não as cores do Rio Grande do Sul, mas as da América Latina. Aqui a mesquinhez grassa, o que explica, em parte, o complexo de inferioridade misturado a uma certa arrogância dos gaúchos. A coisa já vem mal desde o nosso hino onde se canta ( on vante ) " Sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra ". Maldita mania. Pior que esta, só a que joga sobre o técnico toda a culpa do mundo, como se joga merda na Geni. Os nossos fracassos passam a ser o fracasso do outro, assim, num passe de mágica. E tudo recomeça. E se repete.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

NOSSA NOVA LÍNGUA

Eu vinha cedo de Pelotas num ônibus confortável que me permitia pregar o olho de vez em quando. Foi numa dessas intermitências do sono que vislumbrei, já quase chegando a Porto Alegre, uma placa sobre um terreno vazio na qual estava escrito Our Roads. Logo abaixo vinha a tradução: Nossas Estradas. E como o ônibus seguia viagem a uns 100 Km por hora, não tive tempo de me acordar bem para melhor ler ou entender do que se tratava. Talvez um empreendimento o que ficara para trás, uma simples estrada sendo aberta da rodovia para os interiores de Guaíba. Mas foi a tradução o que mais me impressionou. Ora, para que usar termos em inglês num local em que as pessoas não dominam essa língua nem sequer para entender o significado de Our Roads, isso que não é nem uma frase já que não tem verbo ? Eu sei que já se escreveu muito sobre o tema, mas o uso contínuo do inglês em nomes e títulos, procedimentos, condomínios, alimentos e no que mais se imagine, está chegando a um esgotamento tal, uma coisa - eu diria, com o perdão da palavra -, uma coisa quase over. Para designarem-se prédios de escritórios, usa-se Offices; para nomearem-se residências, opta-se por Residences; há muito o termo Shopping Center ( que aqui já não necessita ser em itálico ) não se conhece por outro nome em nossa própria língua. Já imaginaram alguém perguntando:- Onde fica o Centro de Compras Iguatemi ? E por aí vai. Não posso deixar de creditar esta prática a um complexo de inferioridade que nos obriga a copiar o “charme” da plástica Miami, paraíso modelar da mais fina breguice. E a língua tem que ser o inglês, claro; ninguém se atreveria a usar o alemão onde Nossas Estradas seria traduzido por Unsere Straßen, Residências ficaria Wohnungen e Escritórios seria Büros. Nada disso seria minimamente comercial. E por que não ? Pela primazia da língua americana como idioma universal ? Americana, e não inglesa, quero enfatizar, porque isso é influência histórica da alta tecnologia de consumo que nos oferece a América do Norte. Essa influência foi sendo instilada aos poucos e hoje é como um sinal de nascença que está no DNA de qualquer criança de quase qualquer lugar da América do Sul. Será bom isso ? Há gente que arrisca dizer que esta influência é coisa do Demo. Afinal, por que não usar-se o francês, língua tão mais elegante ? Por que não o italiano, o mais romântico e sensual dos idiomas ? Bem, esqueçamos o alemão e o japonês. Mas será que um dia nosso dicionário Houaiss será tão outro ? Em Portugal, banheiro é quarto de banho e táxi continua sendo carro de praça, assim como era na minha infância. Mouse, esta coisinha que a gente usa sobre o pad, é, literalmente, rato. Aqui diríamos “dê duas clicadas com o mouse para deletar”. Lá em Portugal eles dizem “dê dois toques no rato para apagar” Eis aí algumas considerações que se impõem quando paramos para pensar num assunto que faz alguns anos preocupava a França em seu orgulho quase napoleônico: a influência nefasta dos idiomas estrangeiros sobre a língua de Voltaire. Fizeram de tudo para evitar as influências. Queriam abolir o hotdog e o cheeseburger. Conseguiram, quando muito, manter a palavra ordinateur no lugar de computer. No resto de nada adiantou: foram vencidos. Coisas do Demo...
A todos vocês, caros leitores, Merry Christmas and a Happy New Year ! Quero dizer: Feliz Natal e Próspero Ano Novo !